BLC 2026: último dia da programação destaca Conferência Magna e debates sobre prática clínica, evidência e inovação

BLC 2026: último dia destaca Conferência Magna e debates sobre prática clínica, evidência e inovação

O último dia do BLC 2026 foi marcado por discussões centradas na tomada de decisão clínica em Onco-Hematologia, com foco na interpretação crítica da evidência e na aplicação prática no cuidado ao paciente. Ao longo do sábado, diferentes sessões abordaram desde métodos diagnósticos até estratégias terapêuticas, sempre destacando a importância de integrar dados clínicos, laboratoriais e contextuais. A proposta foi ir além do conhecimento teórico, trazendo reflexões diretamente aplicáveis à rotina assistencial. Nesse cenário, o evento reforçou o papel do médico na análise crítica e individualização das condutas.

Entre os destaques do dia, a discussão sobre PET-CT em linfomas enfatizou as principais armadilhas de interpretação e seu impacto na condução clínica. O uso de Inteligência Artificial também foi abordado de forma prática, com Alex Sandes apresentando aplicações em educação, pesquisa e organização de dados. A avaliação crítica de estudos fase 3, conduzida por Yung Bruno de Mello Gonzaga, reforçou a necessidade de analisar desfechos clínicos relevantes e identificar potenciais vieses antes da incorporação de novas evidências à prática.

Outros temas relevantes incluíram a vacinação em pacientes com doenças linfoproliferativas, com Marcio Nucci destacando aspectos como o momento ideal para imunização, contraindicações e limitações de resposta em cenários de imunossupressão. A avaliação geriátrica foi discutida por Steven T. Rosen como ferramenta essencial para orientar decisões terapêuticas além da idade cronológica. Já no linfoma primário de sistema nervoso central recidivado ou refratário, Thais Fischer abordou os desafios relacionados ao potencial de cura frente ao custo clínico das estratégias intensivas.

A Conferência Magna, ponto alto da programação, foi conduzida por Miles Prince e abordou as diferenças biológicas entre linfomas de células B e T/NK. A apresentação destacou que essas doenças seguem vias distintas, o que implica abordagens terapêuticas específicas. Foram discutidas as limitações atuais no manejo dos linfomas T, especialmente relacionadas à sua maior heterogeneidade e à dificuldade em identificar alvos terapêuticos consistentes. A mensagem final reforçou que o avanço no tratamento depende diretamente da compreensão da biologia tumoral, orientando o desenvolvimento de estratégias mais eficazes.