O Fórum de Acesso e Equidade da ABHH – Região Centro-Oeste reuniu, nesta sexta-feira (29), em Goiânia, especialistas, gestores, representantes de instituições de saúde e profissionais da área para discutir estratégias voltadas à ampliação do acesso aos tratamentos hematológicos e oncológicos. A abertura contou com representantes da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) e da Hemorrede de Goiás, que destacaram a visita realizada pela comitiva da entidade aos serviços de saúde da capital goiana na véspera do encontro.
Durante a cerimônia, o presidente da ABHH, Angelo Maiolino, ressaltou a responsabilidade das sociedades médicas na promoção do acesso à assistência de qualidade para a população. “Como sociedade médica, temos o papel de protagonismo na promoção do acesso à população. Ainda parece uma utopia, mas precisamos reafirmar o compromisso de viabilizar que a população tenha assistência, tanto na rede pública quanto na privada”, afirmou. A importância da construção de políticas públicas mais inclusivas e centradas nas necessidades dos pacientes foi um dos temas centrais da programação.
A primeira parte do evento abordou a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e os avanços da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF Onco). Diretor da ABHH e membro do Comitê de Acesso a Medicamentos, Glaciano Ribeiro destacou que a nova estrutura regulatória tem potencial para acelerar a chegada de terapias aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). “A AF Onco deve assegurar que a incorporação se converta de fato em acesso efetivo ao paciente”, ressaltou. Os debates também abordaram os novos modelos de aquisição de medicamentos, a sustentabilidade do sistema e os desafios para garantir a implementação das políticas nos estados.
A programação da manhã prosseguiu com discussões sobre inovação em saúde, terapias avançadas, doenças raras e a centralidade do paciente no cuidado hematológico. Durante os debates, especialistas reforçaram a necessidade de ampliar o acesso às novas tecnologias e reduzir desigualdades na assistência. “Em um fórum de equidade, é muito importante falar de doenças raras e não somente das onco-hematológicas”, destacou Melaine Barbosa. Já Thiago Carneiro chamou atenção para a urgência do tratamento em situações críticas. “Leucemia aguda é um caso que não espera. O processo precisa ser rápido pela vida do paciente”, afirmou.
À tarde, o Fórum aprofundou a discussão sobre os desafios e as conquistas dos novos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs) no SUS. Adriano Arantes destacou o papel dessas diretrizes na qualificação da assistência e na ampliação do acesso aos tratamentos, enquanto Mônica Veríssimo abordou os avanços trazidos pelo PCDT de Doença Falciforme, publicado em 2024.
Encerrando a programação científica, a coordenadora do Comitê de Equidade da ABHH, Lorena Costa Corrêa, apresentou o tema Patient Blood Management (PBM) como um novo paradigma de cuidado, sob moderação de Alexandra Vilela. A discussão reforçou a importância do uso racional do sangue, da segurança transfusional e de estratégias centradas no paciente, em consonância com os princípios de equidade e sustentabilidade que nortearam todo o evento. "Nós precisamos enxergar o sangue do paciente como um órgão que perspassa todos os outros e ele precisa estar em seu melhor funcionamento", disse.



