Joint Educational Program on Multiple Myeloma reforça protagonismo do Brasil e sugere cura funcional

Joint Educational Program on Multiple Myeloma reforça protagonismo do Brasil e sugere cura funcional

Após dois dias de intensa programação científica, o Joint Educational Program on Multiple Myeloma chegou ao fim consolidando-se como um dos mais relevantes encontros dedicados ao mieloma múltiplo realizados no Brasil. Promovido pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), pelo Grupo Brasileiro de Mieloma (GBRAM) e pela International Myeloma Society (IMS), o evento reuniu sete especialistas internacionais, dezenas de palestrantes brasileiros e profissionais de diferentes regiões do país para discutir os avanços mais recentes no diagnóstico, monitoramento e tratamento da doença.

Ao longo da programação, especialistas compartilharam evidências científicas, experiências clínicas e perspectivas para a incorporação de novas tecnologias à prática assistencial, em um formato que privilegiou a interação entre palestrantes e participantes. Temas como estratificação de risco, exames diagnósticos, técnicas de imagem, doença residual mínima (DRM), critérios de resposta, avaliação da fragilidade e novas estratégias terapêuticas estiveram entre os destaques.

Para a diretora da ABHH, Dra. Vania Hungria, o encontro já nasce como uma referência para a comunidade científica.

"Reunimos alguns dos maiores especialistas em mieloma múltiplo do mundo para discutir temas que impactam diretamente a prática clínica. É uma grande satisfação ver o envolvimento da comunidade médica em um evento construído para promover atualização científica, troca de experiências e, principalmente, melhorar a assistência aos pacientes."

Um dos diferenciais do programa foi justamente o espaço destinado ao debate entre especialistas e audiência. Ao comentar o primeiro dia do evento, a hematologista espanhola María Victoria Mateos destacou a qualidade das discussões e a participação ativa dos profissionais brasileiros.

"Acho que as mensagens foram claras, a audiência participou muito ativamente com muitas perguntas que traduziram o que as apresentações nos disseram para a vida e para a situação real dos pacientes no Brasil. Compartilhamos dados, experiências e espero que os participantes possam aplicar essas mensagens imediatamente em sua prática clínica."

A Dra. Vania Hungria também ressaltou a importância desse formato mais interativo.

"Muitas vezes, nos congressos, sobra pouco tempo para discussão. Aqui tivemos mesas com 30 a 40 minutos dedicados às perguntas e ao debate. Esse formato aproxima especialistas e participantes e transforma o conhecimento científico em algo aplicável à realidade do dia a dia."

Tecnologia, acesso e medicina de precisão

Entre os temas centrais do encontro esteve a incorporação das novas tecnologias ao manejo do mieloma múltiplo. Durante a programação, o vice-presidente da ABHH, Dr. Jorge Vaz Pinto Neto, destacou que o Brasil dispõe de capacidade técnica para oferecer os principais recursos diagnósticos e terapêuticos atualmente disponíveis.

"O Brasil tem capacidade instalada para oferecer todas essas tecnologias aos nossos pacientes."

As discussões também abordaram a importância da avaliação da fragilidade do paciente como ferramenta para individualizar o tratamento. Durante as apresentações, os especialistas reforçaram que fatores como idade, condição clínica, elegibilidade ao transplante e perfil funcional devem orientar a tomada de decisão terapêutica, permitindo abordagens cada vez mais personalizadas.

Para o hematologista Dr. James Maciel, o alto nível científico marcou toda a programação. "Foi um evento muito rico, com discussões muito interessantes, que tenho muito prazer em compartilhar."

Perspectivas para o futuro

O encerramento do encontro trouxe uma reflexão sobre o cenário atual do tratamento do mieloma múltiplo e os resultados alcançados nas últimas décadas.

Segundo a Dra. Vania Hungria, os avanços apresentados durante o evento permitem discutir um conceito que até pouco tempo parecia distante.

"Hoje já podemos falar em cura funcional. Muitos pacientes apresentam remissões profundas e duradouras, vivem por muitos anos com qualidade de vida e não morrerão em consequência do mieloma, mas de outras causas. Podemos concluir que já temos pacientes alcançando uma cura funcional."

Ao reunir especialistas nacionais e internacionais em torno dos principais desafios da doença, o Joint Educational Program on Multiple Myeloma reforçou o compromisso da ABHH, do GBRAM e da IMS com a educação continuada, a produção e disseminação do conhecimento científico e a busca por uma assistência cada vez mais qualificada aos pacientes com mieloma múltiplo.